A TASCA DO ESTEVES

Quem tem tascas… tem tudo!

2019 foi um ano marcado pela nossa senda pelas tascas lisboetas. Sob a alçada do #adorotascas, nós e alguns amigos que partilham este gosto andámos um pouco por todo o lado, de tasca em tasca, não à procura da melhor, mas simplesmente a tentar mostrar que existem. E dar-lhes a visibilidade que merecem. Porque Portugal é um país de tascas, de comida tradicional, de gente boa, que sabe receber, de conforto através da comida. E isso nunca se pode perder!

A Tasca do Esteves foi a última tasca visitada por este grupo, e foi escolhida pelos nossos seguidores. Não conhecíamos, e quando percebemos que ia ganhar, fomos pesquisar um pouco. Vimos as fotos, com as paredes de azulejos, as mesas com toalhas de papel, o balcão ao fundo da sala estreita, a ementa escrita em ardósia ainda mal apagada do dia anterior. Tudo aquilo que nos vem à cabeça quando pensamos numa tasca, daquelas a sério.

E A Tasca do Esteves não desilude, pelo menos nesse sentido. É daqueles sítios onde chegamos para jantar e já estão os clientes habituais ao balcão, com uma taça de vinho. Onde as televisões estão ligadas nos dois canais concorrentes, novela vs novela. Onde nos sentamos numa mesa onde já estão algumas das entradas habituais (pão, manteiga, queijo seco) e outras menos comuns (salada de orelha de porco, barriga de porco aos cubos e um bom paio do mesmo bicho).

A ementa da Tasca do Esteves baseia-se muito nos petiscos, e mesmo os poucos pratos disponíveis são quase que versões maiores daquilo que podemos petiscar. Por isso, escolhemos muitos petiscos e algumas versões mais longas só para provar o máximo possível. Por exemplo, temos umas excelentes Pataniscas de Bacalhau, na sua versão mais espalmada mas bem recheadas e com muito sabor. Assim com as Moelas, com um molho muito guloso, ainda que a carne esteja um bocadinho dura demais.

Ao mesmo tempo, temos bacalhau, mas em duas versões. Por um lado, os Pastéis de Bacalhau são excelentes, quentinhos, crocantes ainda no exterior, recheio húmido e forte no bacalhau. Uma maravilha! E por outro lado, temos o Bacalhau Desfiado, uma espécie de lagareiro mas sem posta inteira, onde o sabor é intenso pelo azeite e pelo alho. Faltam ali umas batatinhas, mas pronto.

Finalmente, um prato mais completo… ainda que a nível do tamanho das doses continuemos mais ou menos no mesmo registo. A Carne de Porco à Portuguesa podia bem passar por pica pau, porque lhe falta aquele pimentão doce que caracteriza o prato. Ainda assim, a carne em si é boa e está tenra. Ou seja, acompanha bem o tinto da casa.

Para terminar, como já tem sido hábito nestes jantares do #adorotascas, pedimos uma sobremesa de cada, para partilhar. Na Tasca do Esteves só há três, por isso ficamos por essas: a Mousse de Chocolate caseira, com um aspecto estranho mas um sabor muito bom; o Pudim normalíssimo; e a Torta de Laranja pouco interessante e com uma textura demasiado esponjosa. Enfim, não se pode ter tudo…

Como qualquer um destes jantares em tascas, foi um jantar bem regado, mas o que fluiu mais nem foi o vinho. A conversa é rainha à mesa, a partilha de histórias, de experiências, de piadas. Estamos descontraídos e divertidos, não temos de nos preocupar com a “etiqueta” ou se o Chef está a explicar-nos os pratos. Não temos de fazer comparações nem avaliações. Nada disso! Uma tasca é o sítio onde podemos estar mais genuinamente, e é por isso que são um elemento tão essencial da nossa cultura, tanto a nível gastronómico como a nível geral.

A Tasca do Esteves pode nem ter sido a tasca mais memorável onde já jantámos, mas o facto de ainda existir é, por si só, uma coisa muito positiva. É daquele tipo de sítios que tem de existir sempre, para bem de quem mora na zona. Porque quem tem uma tasca… tem tudo!

Preço Médio: 14€ pessoa (com vinho da casa)
Informações & Contactos:

Rua da Costa, 26 | 1350-111 Lisboa | 21 397 4323
Não tem Multibanco.

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