DOM JOAQUIM (Évora)

DOM JOAQUIM (Évora)

Um Alentejo com requinte.

O Alentejo é a minha região preferida do País! E não vale a pena ficarem já indignados, porque trata-se de uma opinião e cada um tem a sua. Não tenho raízes alentejanas directas, mas desde cedo que se tornou um destino frequente de férias e outras viagens. E é a minha região preferida em quase todos os aspectos: nas paisagens, nas pessoas, nas praias e, claro, na gastronomia. Aliás, nem é só no Alentejo que procuro comida alentejana, porque continuo a fazê-lo um pouco por todo o lado. Não consigo evitar… 😉

Ora, geralmente quando penso em restaurantes no Alentejo, penso sempre em sítios mais típicos, mais tradicionais, mais tascas, vá lá. Daquelas que encontramos à beira das estradas nacionais, com uma zona de café e outra sala de refeições, algo assim desse género. Mas isso não significa que não existam restaurantes mais “cuidados” onde se sirva autêntica comida alentejana, com a mesma simpatia que numa tasca qualquer. O espaço e a decoração podem ser diferentes, mas o conteúdo que interessa está lá.

Em Évora, é o caso do Dom Joaquim. Um restaurante que, à entrada, causa alguma estranheza, por parecer demasiado… “fino”. O mobiliário, a decoração, a iluminação, tudo aponta para se tratar de um restaurante caro e, logo, menos tradicional do que esperamos. Menos “autêntico”, se quiserem. Mas depois começamos a ver os quadros nas paredes, onde a grande maioria são molduras com os vários prémios que o Dom Joaquim foi ganhando ao longo dos anos. E todos relacionados com a qualidade e autenticidade da sua comida. O que nos faz perceber que se calhar fizemos um juízo demasiado precipitado.

Independentemente do espaço em si, o Dom Joaquim é um restaurante tradicional, aliás, familiar. Tratam-nos como se fôssemos clientes habituais da casa, como se fôssemos amigos. E isso acontece muito no Alentejo. Quem nos recebe no restaurante leva-nos à mesa e explica-nos os pratos, assim como o serviço nos acompanha durante toda a refeição, sempre num misto de formal (porque o restaurante pede-o um pouco) e descontraído (porque é assim nesta região). Há sempre um conselho, uma sugestão, e isso para nós vale imenso!

Enquanto olhamos para a lista, vamos petiscando as entradinhas que vão aparecendo em cima da mesa (atenção aos preços!): o pão alentejano, acompanhado de um simples e delicioso queijinho seco, onde se juntam ainda uma linguiça semi picante e umas maravilhosas favas com chouriço. Tudo coisas simples, mas é das coisas simples que a gastronomia alentejana é feita. Simples, mas com produto excelente e tudo cozinhado com alma.

A nossa primeira indecisão tem a ver com os pratos principais, porque a lista, mesmo não sendo muito longa, tem muita coisa que parece fantástica! Por isso pedimos uma recomendação, que quem nos atende dá com todo o gosto. Uma das pessoas na mesa queria peixe, por isso a sugestão são os Filetes de Pescada com Arroz de Grelos. Os filetes têm um recheio de pescada e uma espécie de bechamel, mas um equilíbrio perfeito, de forma a deixar o peixe sobressair. E o arroz… que espectáculo! Cremoso mas no ponto ideal, super saboroso!

Depois, dois pratos de carne, estes mais “tipicamente” alentejanos. Por um lado, o Javali, que é servido assim tipo ensopado. Um prato de conforto, com a carne muito tenra e muito bem temperada, acompanhada de alguns legumes e castanhas, como não podia deixar de ser. Este é daqueles pratos que, se eu fosse de descendência alentejana, imagino que faria a minha delícia nos almoços de Domingo. Ou de outro dia qualquer, não sou picuinhas!

Finalmente, o Borrego Assado no Forno com Batata a Murro. Outro clássico da zona, e outro prato delicioso. O borrego chega à mesa muito apurado e as batatas também estão perfeitas. A carne é gorda, intensa, porque este prato é assim mesmo, é para homens do campo! 🙂 Mas mais do que isso, é um prato de Inverno, para noites frias, porque nos aquece por dentro. Aquece o corpo e a alma.

Para acompanhar tudo isto bebemos cerveja, mas devíamos ter ido para o vinho, porque o Dom Joaquim tem uma garrafeira invejável. Vinhos maioritariamente alentejanos (claro!), mas não só. Talvez só aqui se sinta mais o factor “premium” do restaurante, porque os vinhos têm preços elevados, ainda que também sejam referências melhores do que os vinhos da casa que encontramos nas tascas.

A verdade é que não só as doses são bem servidas (e a comida alentejana é substancial), como a “brincadeira” das entradas fez com que estivéssemos completamente a rebolar depois dos pratos principais… mas estamos no Alentejo, e era uma vergonha sair do Dom Joaquim sem pedir pelo menos uma sobremesa. Recorremos novamente a quem nos serve, que nos dá algumas sugestões, sendo que ficamos indecisos entre o Morgado e a Sopa Dourada. Ora, problema resolvido: trazem-nos um morgado e ainda um bocado de sopa dourada para provar! 😉

Começando pela dita sopa, que é uma bomba! Aliás, praticamente todos os doces alentejanos são verdadeiras bombas! Aqui estamos a falar de uma camada líquida de ovo com pedaços de amêndoa e canela, que se come realmente como se fosse uma sopa, mas uma sopa doce. É uma sobremesa muito boa e que realmente nos faz lembrar o Alentejo. Aliás, como muito bom também é o Morgado, um doce que habitualmente vemos muito no Algarve, mas que aqui no Dom Joaquim é menos doce do que esperávamos, e por isso ainda melhor do que estávamos à espera! Ainda bem que seguimos as sugestões, porque isto é que foi terminar o jantar em beleza!

O Dom Joaquim pode efectivamente ter preços um pouco acima da média para restaurantes alentejanos na zona. Mas temos de ter em consideração que o seu posicionamento é diferente, um pouco mais premium, o que não tem nada de mal. Até porque o mais importante – a comida – é tão tradicional e caseira como encontramos numa tasca qualquer.

Esta é uma casa de família e de amigos, mas com um aspecto mais cuidado. E isso só nos salta à atenção no início, porque depois somos recebidos como amigos, somos servidos como família e provamos pratos fantásticos. A comida, quando é feita com carinho, pode ser servida em qualquer ambiente, porque nos sentimos sempre em casa. E mesmo eu, que não tenho nenhuma costela alentejana, senti-me em casa no Dom Joaquim. O que é o melhor elogio que posso fazer a qualquer restaurante!

Preço Médio: 25€ pessoa (com cerveja)
Informações & Contactos:

Rua dos Penedos, 6 | 7000-531 Évora | 266 731 105

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