HORTA DO PÁTEO ALFACINHA

Vista fantástica… e comida que já foi melhor.

A Horta do Páteo Alfacinha já foi dos nossos restaurantes preferidos em Lisboa. Pelo espaço em si, pela maravilhosa vista, pelo serviço e, claro, pela comida. Fomos muito felizes lá, em várias ocasiões. Mas as coisas têm vindo a mudar ao longo do tempo… Primeiro com a troca de Chef, depois com as alterações à ementa (e aos preços), e mesmo com mudanças no serviço. A verdade é que as últimas duas visitas que fizemos à Horta deixaram-nos um pouco desiludidos. E levaram-nos também a repensar a nossa opinião sobre o espaço.

Mas primeiro, o espaço. Ainda antes de existir um Bairro do Avillez, já existia o Páteo Alfacinha. Menos central, é certo, e menos mediático. Mas este espaço na Ajuda é uma recriação perfeita de um pátio lisboeta, com pequenas lojas e espaços de artesãos, tudo muito bem organizado e pensado para proporcionar uma experiência de voltar atrás no tempo. E, numa das extremidades do espaço, com uma vista magnífica para o Tejo, está o restaurante (de Verão). A dita Horta. E há um importante esclarecimento prévio: a Horta funciona durante o Verão, até final de Setembro. A partir daí passa a funcionar a Mercearia, com a mesma equipa, uns metros aos lado, mas com uma carta mais adaptada ao Inverno e um espaço mais “fechado”.

A localização do restaurante faz com que seja impossível não falar da vista. O Tejo ao longe, com o enquadramento da Ponte 25 de Abril, uma vista magnífica à noite mas ainda melhor ao final da tarde – é melhor ir jantar cedo e aproveitar.

Seguindo o conceito do espaço onde o restaurante está inserido, chegamos a uma grande esplanada, colorida, com mesas e cadeiras de madeira, como se fosse o pátio da nossa casa de férias. Aquela que tem uma horta. O ambiente apresenta um misto de grupos jovens e famílias, um burburinho saudável no ar, de gente que está a passar um bom bocado. Música ambiente, baixa e de bom gosto.

Depois, o serviço. E este foi um dos pontos onde sentimos as maiores diferenças ao longo dos anos. Como o espaço pertence a um grupo de catering nacional, não nos espantou que o serviço fosse extremamente profissional, mas com alguma informalidade. O que foi acontecendo com o passar do tempo é que esse mesmo serviço tem-se tornado cada vez mais informal… mas também tem aumentado o número de falhas. E diminuído a simpatia genuína. Aquilo que temos hoje na Horta é um serviço com alguma demora e confusão, sem atenção a grandes pormenores. Não sendo mau, já foi tão melhor…

A ementa do espaço baseia-se quase totalmente em pratos para partilhar, na onda dos petiscos, e depois alguns grelhados. Há muita coisa, é verdade… mas também aqui temos sentido uma falta de consistência gradual, desde a nossa primeira visita. Há cada vez mais altos e baixos na confecção e no tamanho das doses, o que acaba por fazer com que o jantar não seja completamente bem conseguido.

O Gaspacho à Alentejana é saboroso e cumpre a promessa de tradição, mas depois o Chouriço de Porco Preto assado é extremamente mal servido e, honestamente, já comemos muito melhor. Assim como já comemos muito melhores Ovos Mexidos com Alheira de Caça, com muito ovo e pouca alheira, assim como quase ausência de qualquer tempero.

Melhores as Gambas Al Ajillo, principalmente por causa do molho, assim puxadinho como gostamos, bom para acabar com o pão do couvert. As doses não são especialmente grandes, mas são ajustadas ao preço. O problema são mesmo as oscilações de qualidade.

Mais um exemplo da diferença abismal entre dois pratos: o Choco Frito é esponjoso, o que destrói completamente o encanto do prato; enquanto as Bochechas de Porco Preto estão no pólo oposto, tenras, quase que as conseguimos cortar com a colher. O molho podia estar muito mais apurado, aliás, na descrição do prato podemos ler “bem apuradinhas”, uma promessa que não é completamente cumprida. Mas pronto, ainda assim são muito melhores que o choco.

Além dos petiscos ou pequenos pratos para partilhar, há ainda algumas carnes grelhadas, que vão variando. No nosso último jantar na Horta, comemos umas Espetadas de Vitela, bons nacos de carne tenra, mas novamente quase sem sal. Esta falta de tempero é, no mínimo, irritante, principalmente num restaurante que se apresenta como um espaço de comida genuinamente portuguesa. Felizmente, para acompanhar acertámos nas Batatas da Horta, assadas no forno com ervas aromáticas, estas sim muito bem temperadas. Não custa nada!

A nível de sobremesas, o percurso da Horta do Páteo Alfacinha tem sido numa lógica de simplificação, de aproximar às receitas mais tradicionais. Por isso, depois de sobremesas mais elaboradas nas primeiras visitas, temos agora coisas simples mas bem executadas. Como por exemplo um bom Leite Creme, queimado no momento, com um agradável toque de laranja, ou o Arroz Doce, sem ser demasiado doce, com boa textura. Ou, claro, o Pudim Abade de Priscos, essa maravilha nacional, que devia ser elevada a património da Humanidade. Fantástico!

Como escrevemos no início, há restaurantes que, numa primeira visita, achamos que são praticamente perfeitos. Mas sobre os quais, passado algum tempo e algumas novas visitas, vamos alterando a nossa opinião. E isso deixa-nos tristes… Não há nada de muito errado com a Horta do Páteo Alfacinha, além da inconsistência a nível de comida ou de serviço. O que tem acontecido é que, com o passar do tempo, temos sentido cada vez mais essas pequenas questões. Ou então têm-se mesmo acentuado. Seja como for, cada experiência tem sido menos impressionante que a anterior.

Ainda assim, o espaço em si é muito interessante de visitar. E a vista é, sem dúvida, impressionante. Por isso, não deixa de ser uma boa opção para comer uns petiscos despretensiosos. Principalmente se não tiverem tido lá experiências prévias maravilhosas.

Preço Médio: 30€ pessoa (com vinho)
Informações & Contactos:
Rua do Guarda Jóias, 44 | 1300 – 294 Lisboa | 21 364 2171

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