PANDA CANTINA

PANDA CANTINA

Ramen. Chinês. Maravilhoso!

Passamos de carro pela Rua da Prata e não encontramos o Panda Cantina. Estamos à espera de alguma sinalética exterior, uma montra de vidro, uma porta aberta… qualquer coisa que indique um restaurante. Mas o Panda Cantina não tem nada disso, é quase como um espaço clandestino, escondido atrás de uma fachada de uma antiga casa de gelados. O vidro das montras é fosco, por isso se não fossem as pequenas letras no toldo branco, não saberíamos onde entrar.

E é esta espécie de “clandestinidade” do Panda Cantina que lhe dá grande parte do seu encanto. Porque mesmo entrando num restaurante completamente cheio, sentimos estar a entrar num espaço que é um segredo, que pouca gente conhece, uma espécie de clube secreto do qual agora vamos passar a fazer parte. E que clube, minha gente!

panda cantina

A premissa é muito simples, tão simples que de início até faz confusão. Sentados ao balcão, fazem-nos um enquadramento e apenas 3 perguntas: “Aqui servimos ramen chinês e temos de porco, frango e tofu. Qual querem? De 1 a 5, qual o nível de picante que preferem? E podemos colocar coentros?” Pronto, é só isto. Não há mais decisões a tomar, porque respondendo a estas 3 perguntas, é só esperar. E esta simplicidade de escolhas e de processos faz parte do charme do Panda Cantina, porque por mais complexo que seja o processo de confecção daquilo que vamos comer, não precisamos de perder muito tempo com decisões. Ou, se quisermos, é a lógica de uma cantina: escolher rápido, comer e ir embora.

E no espaço de tempo que demoram a ser servidos os nossos ramen, podemos ainda apreciar alguns pormenores do interior do restaurante, pormenores simples mas que tornam o Panda Cantina numa experiência que vai muito além da comida. Um balcão e uma mesa corrida comunitária, só, mesa essa que está debaixo de uma instalação com dezenas de tachos. Um neon no fundo da sala transporta-nos para o imaginário oriental urbano, e uma parede completamente feita de livros transporta-nos sei lá para onde! Tudo pormenores em que reparamos quando os nossos olhos se adaptam ao ambiente escuro do restaurante.

E pandas, claro, pandas. Nos televisores em frente ao balão, com vídeo em loop de pandas a comer. Ou em pequenos bonecos com várias posições, espalhados pelas mesas. Tudo coisas simples, despretenciosas, mas que nos ficam na memória.

Ora, uma das vantagens de estar ao balcão é ver o ramen a ser preparado à nossa frente. Todo o processo é mais ou menos mecanizado, ou se quisermos, coreografado na perfeição pelos dois cozinheiros. O caldo, os noodles e depois o resto dos ingredientes, que resultam nas duas bowls metálicas que nos são servidas. E se a apresentação feita acerca da simplicidade do menu até nos pode fazer pensar que o caldo é o mesmo e apenas a proteína difere, a realidade é diferente disso.

panda cantina

Por um lado, temos o Ramen de Tofu, vegetariano, mas não para seguir modas, apenas porque na Ásia se come muita comida vegetariana. O caldo é intenso e rico em sabor, sem ser muito denso, uma espécie de miso mais forte. Há 3 blocos de tofu frito, meio ovo (e isto está a tornar-se uma moda estúpida em Lisboa, que é o ramen ser servido com apenas metade de um ovo… mas pronto), rebentos de soja, algas e coentros. Tudo na proporção ideal, para acompanhar o maravilhoso caldo.

Porque o ramen, digam o que disserem, é principalmente o caldo. Que tem de ser saboroso, tem de ter densidade, tem de ter alma e passar o seu sabor ao resto dos ingredientes. Comida de conforto no seu melhor, malta! Por isso o que surpreende no outro ramen que pedimos é mesmo o caldo, que mesmo tendo a mesma aparência, é completamente diferente do outro. O Ramen de Porco tem um caldo ligeiramente mais denso e com um sabor mais “carnudo”, mas sem nunca ser muito espesso (como acontece no tonkotsu japonês, por exemplo). Novamente os ingredientes na proporção ideal, carne tenra, noodles excelentes. Chinês ou japonês, é um caldo do caraças! E dos melhores ramen que comemos em Lisboa!

panda cantina

A simplicidade da oferta no Panda Cantina faz com que não existam entradas e exista apenas uma sobremesa. Que, por si só, é tão fora do comum como outras coisas no Panda Cantina. Uma gelatina vegetal, mas que somos nós a construir. Um taça de gelatina, outra com um caramelo e ainda outra com amêndoa e uma geleia, para misturarmos tudo a gosto. Uma experiência engraçada, que podemos ilustrar com o antes…

… e o depois. Não é uma maravilha, mas é uma sobremesa divertida.

panda cantina

Quando o Panda Cantina abriu, muita gente achou que o nome faria do espaço uma brincadeira. Incluindo nós. Mas bastou a primeira visita (de algumas) para percebermos que o que se passa atrás daquelas portas despersonalizadas é muito sério. E mais do que sério, é muito muito bom. E nem sequer vale a pena entrar pela discussão do ramen chinês vs ramen japonês, mas do que não seja porque a origem deste tipo de prato é mesmo chinesa, sendo depois apropriada e aperfeiçoada pelos japoneses, com todas as suas variantes.

panda cantina

Mas isso não interessa mesmo nada, porque chinês ou japonês ou seja o que for, o ramen do panda Cantina é verdadeiramente fabuloso! E como se isso não fosse o suficiente, temos ainda o factor preço, onde o Panda Cantina volta a surpreender: o menu ramen + bebida + sobremesa custa menos de 10€. Pois, isso mesmo! Para comerem um ramen que vos vai aquecer o corpo e a alma, num sítio super cool onde vão querer voltar rapidamente.

Para nós, isto faz do Panda cantina a primeira grande surpresa de 2019, e um dos restaurantes que vai de certeza fazer parte do Top 10 do ano. Uma maravilha!

Preço Médio: 9,60€ pessoa (menu com ramen+bebida+sobremesa)
Informações & Contactos:

Rua da Prata, 252 | 1100-052 Lisboa
Não tem telefone, por isso é ir e arriscar! 😉

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