Carne, carne, carne… e mais carne.
Vai haver um momento neste artigo em que vão achar que estão a ver sempre as mesmas carnes nas fotografias. E não são, mas parecem. Aliás, é o que acontece quando se faz um rodízio de carnes… perdão, uma “degustação” de carnes: quer dar-se muito, mas à medida que o tempo passa, a quantidade sobrepõe-se à qualidade. E acabamos por ficar meio perdidos e achar que estamos a comer sempre o mesmo. Pois…

Mas vamos então começar a falar sobre o Assador 29, ali na zona de Albarraque. Um restaurante que estava na nossa lista de “to go” há já algum tempo, depois de várias pessoas conhecidas nos terem dito que era um bom sítio para comer carnes muito boas, a preços bastante acessíveis. Falaram-nos de uma espécie de rodízio, com cortes premium, e isso foi mais do que suficiente para nos chamar a atenção.
Ora então, a nossa visita ao Assador 29 acontece num dia de semana, ao almoço. Marcamos mesa, porque o fazemos sempre, e entramos num restaurante completamente vazio… e fica assim até terminarmos o almoço. A resposta à pergunta “É sempre assim?” é a habitual nestas situações: “Não não, hoje está completamente diferente, geralmente estamos sempre cheios ou bem compostos!” Enfim, não façamos este tipo de avaliação, vamos apenas concentrar-nos na nossa experiência – que, por estarmos sozinhos no restaurante, acabou por ser demasiado intrusiva, com perguntas constantes, explicações de mais, muita presença do serviço.


Mas pronto, seguindo em frente. Assim que nos sentamos, é-nos explicado o conceito do Assador 29: aqui temos vários cortes de carne, de diversos países, disponíveis em dias diferentes, numa lógica de degustação. A ideia é irem trazendo cortes distintos, para que a degustação seja o mais completa possível. E os acompanhamentos estão incluídos e podem ser repetidos: batata assada no forno, migas, arroz, feijão preto. Percebemos durante o almoço que esta é uma palavra proibida… mas isto parece mesmo um rodízio, só que com carnes diferentes.
Começamos então com um pequeno pratinho de enchidos, que serve quase como couvert – e aqui dizem-nos logo para não comermos muito pão, porque “vem aí muita carne”. E o primeiro corte a chegar à mesa é um T-Bone, grelhado no ponto, boa carne, mas é uma peça tão grande que percebemos logo que não vamos comer todas as carnes da degustação até ao final…


E depois da primeira peça, seguem-se muitas outras. A cadência não é demasiado rápida, mas a verdade é que cada pessoa tem o seu ritmo, e inevitavelmente começamos a acumular carne no prato. Temos Picanha, Maminha, Vitela dos Açores, Black Angus, Alcatra… enfim, temos mesmo muita carne a chegar à mesa. No geral, as carnes veem grelhadas no ponto certo, ainda que lhes falte um pouco tempero (temos sal na mesa, mas não é a mesma coisa), e a grande maioria das peças tem boa qualidade, por isso nada a apontar. Há cortes demasiado parecidos uns com os outros, por isso a certa altura já nem sabemos bem o que estamos a comer… E isso leva-nos à questão do desperdício, que no nosso caso ainda foi algum – sendo que fazemos essa questão e o que nos dizem é que a maioria dos clientes come tudo. Será?



Ainda que não sobrasse carne nenhuma, há outra questão importante: carne fria também não é a coisa mais agradável do Mundo, e tendo em conta esta quantidade, é inevitável que os primeiros cortes comecem a esfriar e a perder a graça. Além disso, queríamos terminar com o Porco Preto que nos tinham prometido de início, por isso fomos guardando algum apetite ainda para o final. Só que o porco preto que chega à mesa não é o melhor final para este rodi… desculpem, esta degustação: devia ter ficado mais tempo na grelha para chamuscar, para o exterior ficar crocante. Aliás, acho que a fotografia mostra isso mesmo.

Terminamos o almoço com a Tarte de Limão Merengada, novamente uma sugestão de quem nos atende, com o disclaimer de que é a sobremesa mais pedida da carta. É uma tarte normalíssima, igual a outras que já comemos noutros restaurantes, mas cumpre bem a função de trazer algo fresco ao final da refeição, depois da carne toda que comemos. E fica ainda melhor acompanhada pelo café o o medronho que nos trazem como digestivo… porque medronho é sempre boa ideia!

O Assador 29 tem um conceito, e isso é sempre de louvar, um restaurante que é fiel ao que quer apresentar aos seus clientes. Mas sejamos honestos: a maioria da carne que vimos naquelas arcas em exposição pode ser encontrada na Makro. Ou seja, não existe aqui aquele fator de exclusividade. E se calhar nem tem de existir, especialmente quando consideramos o preço muito justo que estamos a pagar por este rodi… desculpem, por esta degustação. Mas então não me vendam estes cortes como sendo algo extremamente exclusivo, algo único. Porque aí a minha expectativa sobe muito, e depois o que nos chega à mesa parece normal e muitas vezes repetitivo.
Se é uma má experiência? Não, nada disso! Há aqui no Assador 29 muita qualidade, sem dúvida, e o preço é muito convidativo. Mas o problema é que este registo de degustação tende a querer impressionar, e por isso é-nos servida muita coisa, e ali pelo meio acabamos por ficar confusos… e cheios. Na nossa opinião, era só serem um pouco mais seletivos e servirem 3 a 4 cortes no máximo. Porque assim nós podemos ter mais tempo para cada carne… e realmente perceber as diferenças.
Preço Médio: 35€ pessoa (menu + bebida e sobremesa à parte)
Informações & Contactos:
Rua Terra da Figueira, nº 29 | 2710-714 Sintra | 938 295 235