CASA DOS ARCOS SÃO MAMEDE (Maia)

CASA DOS ARCOS SÃO MAMEDE (Maia)

Boa gente e excelente comida!

É um facto assumido que quanto mais vamos par ao Norte do País, melhor comemos. Aliás, não é só em qualidade mas também em quantidade. À medida que subimos de Lisboa as doses começam a ficar maiores e a comida começa a ganhar mais sabor. 🙂 Por isso, já não ficamos assim tão surpreendidos com os tamanhos das doses que nos chegam à mesa quando andamos pelo Norte do País… mas há sempre aquela excepção à regra, aquele restaurante que não só nos surpreende como nos transforma em fãs incondicionais.
Desta vez foi o Casa dos Arcos São Mamede, na zona da Trofa, no Porto.

Bem-vindos à Casa dos Arcos São Mamede

Vim ter à Casa dos Arcos por recomendação, pois ia estar uns dias na zona em trabalho. E a verdade é que, depois do jantar da primeira noite, seguiram-se mais duas visitas no período de quatro dias. Tendo em conta que eu não sou pessoa de repetir restaurantes – principalmente em zonas que não conheço – isto quer dizer uma coisa muito simples: fiquei completamente “viciado”!
O restaurante fica em São Mamede do Coronado e não é assim tão fácil chegar lá, mas o GPS faz maravilhas. À entrada, parece um restaurante tradicional português, e até o é. Mas é só depois de iniciarmos conversa com o Sr. Luís que a Casa dos Arcos se começa a entranhar em nós.

Um restaurante com boa comida e boa gente!

“Uma casa de família”, dizem-nos, mas que faz muito mais do que servir refeições às gentes da zona. Tem vários espaços para eventos e, de forma orgulhosa, falam-nos dos clientes habituais, que incluem músicos, políticos, desportistas e, por várias vezes, até o nosso Presidente da República. Percebemos a razão da escolha passados poucos minutos, e tem muito a ver com a forma de receber do Sr. Luís. Sentimo-nos em casa, porque somos recebidos com simpatia genuína e com uma enorme vontade de agradar.

O couvert não nos deixa antecipar o que vem a seguir…

Mas se o serviço já é muito bom, então a comida faz o resto. Estamos à espera de comer melhor (e em doses maiores) no Norte do País, mas ainda assim ficamos completamente rendidos à comida da Casa dos Arcos São Mamede. Enquanto ouvimos as sugestões do Sr. Luís e olhamos para a ementa (reduzida, com poucas escolhas, mas onde queremos comer todas), vão chegando à mesa entradas simples, como melão com presunto ou farinheira. São realmente coisas simples, que servem para nos entreter à espera dos pratos principais.

Entradinhas…
… e mais entradinhas.

Outra forma de nos entretermos é a comer uma sopinha de legumes, que nos é servida sem nenhuma pergunta prévia. É para aconchegar o estômago, dizem. E nós aceitamos, porque o raio da sopa é deliciosa! Lá está, as coisas simples são geralmente as melhores!

Uma Sopa de Legumes, simples mas deliciosa.

Depois, as carnes… O Sr. Luís aconselha-nos os Tacos de Picanha e nós, formatados para o que vemos em Lisboa, pensamos logo em duas coisas: tacos à mexicana (o que não faria muito sentido neste tipo de restaurante) e picanha fatiada fina (como é servida nos restaurantes brasileiros em Lisboa). Pois que nenhuma destas ideias está certa, e só percebemos quando o prato chega à mesa. Prato que é uma enorme pedra com dois nacos de carne gigantes. São cortados à nossa frente e terminam de cozinhar na pedra, para cada um tirar um pedaço no ponto que queira. Dizem-nos que esta carne sabe tão bem porque as vacas são da Namíbia, bebem cerveja uma vez por dia e ouvem música à noite. Honestamente, não podia ter menos interesse nisso, porque o que me importa e que a carne é fenomenal! E uma dose dá para 3 ou 4 pessoas!

Os Tacos de Picanha, especialidade da casa, ainda inteiros.
E agora já fatiados e prontos a comer!

Mas mesmo não tendo uma lista muito grande, a Casa dos Arcos tem mais alguns pratos de carne extraordinários. Como é o caso do Naco no Louro, uma espetada em pau de louro com uma carne deliciosa e muito tenra, com aquele toque a louro que a torna ainda mais saborosa. Ou a Posta Arouquesa, que podem ver na fotografia em baixo na sua versão “meia dose”. Outra carne fenomenal a nível de sabor, servida no ponto certo. Que delícia!

Naco no Louro
Posta Arouquesa, uma maravilha!

E não só de carne se faz a ementa deste restaurante! Nas opções de peixe, nas nossas três visitas conseguimos provar três pratos diferentes… de bacalhau: o Bacalhau à Lagareiro (bem servido, claro, mas o menos interessante dos três, porque lhe falta estar mais apurado), o Bacalhau com Broa na Telha (muito bom o bicho, bem cozinhado e a desfazer-se em belas lascas, que resultam muito bem com a broa) e o Bacalhau à Brás (um daqueles meus pratos preferidos, que peço sempre em restaurantes, e que aqui se revela excelente, tanto na proporção de bacalhau vs ovos e batata, como principalmente no sabor). 

Bacalhau à Brás, um dos meus pratos preferidos.
Outro Bacalhau, este na Telha, com Broa.
E ainda outro bacalhau, o Lagareiro. O menos interessante dos três…

Num jantar na Casa dos Arcos habilitamo-nos a não chegar às sobremesas. As doses são muito bem servidas, e o Sr. Luís faz questão de nos recomendar meias doses. Mas é inevitável terminar qualquer refeição com uma sobremesa, sendo que aqui também estamos num registo tradicional. O Bolo de Bolacha é dos que eu gosto, com creme de manteiga, servido talvez um pouco frio demais, mas ainda assim muito saboroso. Assim como o Pudim de Ovos, uma coisa tão simples como isso, servido numa dose “cavalar”.

Bolo de Bolacha, com creme de manteiga, claro!
Um Pudim. Sim, só isso.

Com o café ainda nos trazem uma aguardente caseira numa garrafa de whisky. Temos de provar, é o que dizem, com a mesma simpatia e boa disposição que acompanhou todo o jantar. Aliás, qualquer um dos dois jantares e um almoço que fizemos na Casa dos Arcos São Mamede durante os quatros dias que estivemos na zona.

Uma mesa cheia de coisas boas. Como não adorar um restaurante assim?!

E a imagem em cima faz um resumo perfeito daquilo que é este restaurante: uma mesa cheia de coisas boas. Uma mesa farta, com comida excelente, num restaurante gerido por gente boa. Um restaurante onde nos sentimos bem e de onde saímos muito satisfeitos. Um tesouro escondido que toda a gente da zona conhece. Nós ficámos fãs. E vamos voltar sempre que andarmos pela zona! 🙂

Preço Médio: 25€ pessoa (com vinho da casa)
Informações & Contactos:
Largo do Divino Espírito Santo, 45 | São Mamede Do Coronado | 4745-378 Trofa | 229813202

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