TUTTO COMBINATO

A casa do PIOR CHEESECAKE do Mundo!

Há uma coisa que nos fartamos de repetir tanto nos reviews que fazemos como em respostas a todo o tipo de mensagens e comentários que recebemos nas diversas plataformas onde estamos presentes: nós NÃO SOMOS críticos gastronómicos. Não somos, mesmo. Somos curiosos, gostamos de comer, gostamos de experimentar sítios novos, e depois gostamos de escrever acerca das experiências. Ou, se quiserem, partilhar as NOSSAS experiências com quem nos quer ouvir (ler, na realidade, para sermos mais precisos). E é exactamente isto que fazemos, partilhar experiências. E cada um tem a sua experiência, assim como cada um tem a sua opinião, que pode estar alinhada com a nossa ou nem por isso. E isso é excelente! Ainda bem que as pessoas têm opiniões diferentes, porque senão a vida era uma chatice…

Ora, é regular, quando escrevemos sobre a quase totalidade dos restaurantes por onde vamos andando, ter algum feedback de malta que concorda com a nossa opinião… e também de malta que não concorda. E, felizmente, a maioria das pessoas que não concorda, percebe que se tratam de opiniões, partilha a sua, fundamenta-a e ficamos amigos na mesma 🙂 Porque, lá está, cada um tem direito à sua opinião e a partilhá-la com quem queira.

Mas depois há outros casos, daquele pessoal que não concorda com a nossa opinião… e faz questão de partir para a “ignorância”. Ou é porque não nos devíamos intitular críticos gastronómicos (e não nos intitulamos…), ou porque somos uns vendidos, ou porque não sabemos nada de nada, ou porque temos inveja (esta é das nossas preferidas), ou porque queremos destruir o restaurante (infelizmente, pela nossa experiência, os restaurantes destroem-se a eles mesmos…)… enfim, já nos acusaram de tudo. E em 99% das vezes, não há rigorosamente fundamento nenhum no comentário que fazem. Não há uma partilha de opinião contrária, um debate sobre a experiência e o facto de ter sido diferente… não, nada. Pura e simplesmente o ataque. Porque não gostámos de um prato ou de um restaurante que essas pessoas gostaram/gostam. Provavelmente, porque também há quem entre na discussão só porque sim. Enfim…

Isto tudo serve de (longo) enquadramento para o Tutto Combinato… restaurante do qual não gostámos mesmo nada. Restaurante do qual tínhamos muitas expectativas, tanto pelas classificações em várias plataformas online (através das quais ficamos com a sensação que será o melhor italiano de Lisboa…), como pelas diversas mensagens que recebemos ao longo do tempo a dizer-nos que tínhamos mesmo de ir experimentar. E a verdade é que fomos num dia de semana até à Ramada, por volta das 21h, de propósito para perceber o que andávamos a perder. E saímos desolados…

Ora, a discussão no nosso Instagram gerou-se por causa da foto em cima, que partilhámos logo nessa noite. O Cheesecake do Tutto Combinato é – de longe – o pior cheesecake que já provámos desde que vamos a restaurantes. E escrevi “provar” porque não o comemos, voltou para trás apenas com uma garfada a menos… e sem sequer uma pergunta sobre se gostámos ou não. Mas sobre o serviço já falamos. Este cheesecake estava pavoroso, a todos os níveis: a base de bolacha, que deveria ser crocante, era uma papa; o meio sabia tipo a baunilha e tinha uma textura granulada que nada tem a ver com aquilo que deve ser esta sobremesa; e a cobertura, que geralmente é uma calda, era apenas uma camada que parecia gelatina, tipo pastilha elástica, onde depois tínhamos então uns pingos do dito doce de frutos vermelhos. Ah, e trazia uma bola de gelado a acompanhar, saiba-se lá porquê. PIOR. CHEESECAKE. DE. SEMPRE.

Mas se isto foi o que provocou a discórdia no nosso Instagram, também foi só o terminar de um jantar que teve baixos atrás de baixos. E que até começou bem, porque o espaço até é engraçado, cheio de decoração vintage (não há aqui nenhuma novidade, mas é sempre fofinho). Pormenores engraçados, objectos instagramáveis, receita de sucesso.

Depois desta (boa) impressão inicial, as coisas começam a piorar… Uma pessoa só para atender 3 zonas de sala, o que significa que passámos muito tempo com o braço no ar até conseguirmos chamar a atenção. Queríamos saber como é que funciona a comida, porque sabemos que o restaurante não usa ementa e não vemos pratos do dia escritos em lado nenhum. A resposta, com ar de gozo, é um “funciona bem!” E um virar de costas para ir atender outra mesa. Seria divertido se fosse seguido de uma explicação, mas pronto. Chamamos o mesmo senhor a segunda vez e, de forma mais directa, explicamos que é a primeira vez e gostávamos mesmo de perceber o que vamos comer. Finalmente, a explicação: se não tivermos nenhum tipo de restrição alimentar, então eles vão servindo o que for saindo da cozinha nessa noite. É um modelo a que estamos habituados noutro tipo de restaurantes… mas porque não?

O problema é que qualquer modelo de serviço tem de se apoiar sempre numa coisa básica: a comida. Que tem de ser boa. Já nem digo que tem de ser surpreendente, ainda que isso seja o ideal. Mas pelo menos tem de ser boa. E o mais fiel às raízes possível.

Por isso, quando nos chega à mesa a entrada, ficamos a olhar um para o outro. É-nos descrita uma Focaccia de Alheira de Caça com Cogumelos, Ovo mexido e Parmesão. Mas aquilo que nos é servido é uma espécie daqueles pães recheados com queijo que se pedem como entradas nas pizzarias take home. Estão a ver? Recheado com queijo e cogumelos, porque nem a alheira nem o ovo mexido fizeram questão de marcar a sua presença. E polvilhado com parmesão. Pá…, era chamarem-lhe outra coisa qualquer.

“Ok, calma, isto é só a entrada, de certeza que agora vem aí uma pizza ou uma basta mesmo boa!” Era a voz da minha consciência a falar, repetindo isto várias vezes durante o pouco tempo que demorou a vir o primeiro prato para partilhar: a Massa gratinada com Cogumelos, Carne e Parmesão.

Vamos lá ver uma coisa. Não há nada de errado em servir comida simples, até porque a cozinha italiana prima por isso mesmo: simplicidade, comida de conforto. Mas prima também por bons ingredientes e boas conjugações de sabores. Que não sentimos de todo nesta pasta, ou lá o que estava debaixo do bechamel e do queijo. Nem percebemos que tipo de massa era, nem se tinha carne (dizem que sim)… só percebemos que tinha os mesmo cogumelos que já a “focaccia” da entrada e que depois também vão aparecer no prato seguinte. Dentro desta pequena forma está uma mistura de bechamel com queijo, que pelo menos está gratinado. Mas isto não é propriamente comida italiana…

Aqui já estávamos desiludidos, porque esperávamos um bocadinho mais de um restaurante que, no Zomato, tem a mesma classificação do Belcanto. E um restaurante que tem um modelo de serviço que aposta na surpresa, ainda mais. Ora, para nós não foi propriamente uma surpresa quando chega o segundo prato para partilhar da noite: a Pizza com Chouriço de Porco Preto, Pancetta, Cogumelos (sim, outra vez) e Espinafres.

Mesmo sem falar da mistura dos ingredientes, que torna a pizza extremamente uniforme a nível de sabor, aqui o verdadeiro problema está mesmo na massa. Uma massa que parece daquelas pizzas congeladas que se compram nos supermercados. É densa (mesmo sendo relativamente fina) e não tem sabor nenhum, parece simplesmente cartão a servir de base para os ingredientes. Não é crocante, é simplesmente massuda e desenchabida. É uma tristeza de massa, para uma tristeza de pizza.

Neste momento já tínhamos atirado a toalha ao chão, mas as sobremesas fazem parte da refeição… e aqui podemos escolher entre umas quantas. Ora… sobre o Cheesecake já falámos em cima. E sobre o Tiramisú não há grande coisa a dizer, não aquece nem arrefece, é simplesmente normal. E também aqui era dispensável a bola de gelado.

No final, pagamos 25€ pessoa, o que não é nada mau. Ou não seria, se tivéssemos gostado minimamente da comida. Mas num espaço que pretende surpreender-nos, é preciso que a comida efectivamente seja surpreendente, mesmo que seja simples.

E não há problema nenhum num restaurante com este tipo de modelo de “escolha”, mas para isso é preciso surpreender. E nada daquilo que nos foi servido foi surpreendente, sendo que a maioria das coisas nem tem nada a ver com a sua descrição nem com a comida italiana. E ainda acerca do modelo “o Chef é que escolhe”, deixamos um pequeno desafio: vão à página de Zomato do restaurante, façam scroll nas fotografias dos reviews dos últimos dois anos… e se calhar vão perceber que a “focaccia” de entrada é sempre a mesma, a pizza servida também é quase sempre igual e mesmo a massa gratinada é muito mais frequente do que seria de esperar. Mas era chato abrir um restaurante com uma ementa só de 3 pratos, não era?

Bom, quem começou a ler este artigo por causa do Tutto Combinato deve ter ficado um pouco surpreendido com os parágrafos iniciais, e pedimos desculpa pelo desabafo. Mas a verdade é que somos humanos, e como toda a gente, há dias em que simplesmente perdemos a paciência. Não há nada que nos deixe mais tristes (e às vezes irritados) do que ter uma má experiência num restaurante! Porque gostamos mesmo de conhecer sítios novos e, como qualquer pessoa, gostamos de sair de um restaurante satisfeitos. Do Tutto Combinato saímos desolados, sem tirar nem pôr. Porque só o espaço é que correspondeu às nossas expectativas, tudo o resto foi um desastre. Mas pronto, lá está: foi a nossa experiência.

Por isso, malta, e para terminar, brindemos! Brindemos às novas experiências (preferencialmente boas) e brindemos principalmente à liberdade que temos de ter a nossa própria opinião e de respeitar a opinião dos outros. Brindemos com lambrusco, por exemplo. Por acaso, uma das coisas positivas no nosso jantar no Tutto Combinato. 😉

Preço Médio: 25€ pessoa (com vinho)
Informações & Contactos:

Praça da República, 14 A | Urbanização Jardim da Amoreira, Ramada | 2620-463 Odivelas | 21 401 4217

1 comentário em “TUTTO COMBINATO”

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