PARREIRA DO MINHO

PARREIRA DO MINHO

Nota prévia: este review foi escrito “a 2 mãos”, em parceria com OVO CRU. Dêem uma vista de olhos no link que não se vão arrepender! 😉

Tascas há muitas… umas melhores que outras.

Tascas… há que adorá-las! O ambiente, os aromas, os barulhos, as pessoas, toda uma fauna e flora tão nossa, tão tipicamente portuguesa, que nos faz sentir tão em casa. Sítios onde podemos estar à vontade, onde não temos a preocupação de ver ou ser vistos, onde nem sequer nos preocupamos muito sobre o que escolher para comer, porque tudo é genuíno e a preços justos! Tudo coisas que encontramos numa verdadeira tasca. E foi tudo isso (ou quase) que a Parreira do Minho nos reservou para mais um jantar do “grupo das tascas”.

(OVO CRU)
Ao longe (para quem não é míope), o trapézio branco antigo, de acrílico indica “cervejaria” por baixo da designação. A porta de ferro verde e vidro custa a empurrar para mostrar a sala profunda, com mesas vagas (que aqui não se servem hambúrgueres) numa quinta-feira à noite, em dia de jogo da bola. A televisão lá está ao fundo, sem som, por cima de outra porta.
Eventualmente será essa a sala dos fundos. Após sair da sala principal, em direção às casas de banho que não são mais do que um anexo no que seria o saguão, ergue-se nova construção qual salão de baile, de mesas postas, iluminação ténue e preparação para outras noites, que não aquela que nós tivemos.

Não temos ainda gente a comer à nossa volta, por isso não podemos ainda fazer aquele típico movimento de pescoço a tentar perceber o que foi serviço noutra mesa qualquer, de forma a ajudar na nossa escolha. Temos então de olhar para a ementa, que tem menos pratos de tacho do que estaríamos à espera. Aliás, não tem nenhum… Grelhados, tanto nos pratos do dia como nos destaques de carne e de peixe. Nada contra o grelhado em si, mas numa tasca estou sempre à espera de uma senhora de meia idade atrás do fogão a mexer em panelas. A cozinhar com o coração.

(OVO CRU)
Não nos importaríamos até, que estes existissem apenas e só numa óptica de encomenda prévia, permitindo à casa salvaguardar-se de eventuais perdas financeiras, mas não se perdendo os saberes e os sabores de outrora, passados de geração em geração. Valha-nos o vinho da casa em jarro de cerâmica, e os cestos do pão em verga.
Começamos com morcela e laranja, combinação menos típica, mais de época e mais próxima.

Entre a dita morcela, conversas sobre parvoíces, golos na televisão e copos de vinho, vamos passando o tempo sem dar por ele, e esta é outra das coisas boas que as tascas nos trazem. Não há pormenores “instagramáveis” aos quais temos de tirar fotografias, não há status para actualizar constantemente nas redes sociais, nada dessas coisas, por isso podemos ser só 5 pessoas sentadas à mesa a conversar. Coisas do “antigamente”. 😉
Estamos tão distraídos com a conversa que só reparamos nos pratos principais quando eles já estão na mesa… e aí é que as coisas começam a ficar menos interessantes…

(OVO CRU)
Às excepções que foram o bacalhau assado já desfiado (por ser o único peixe na mesa) e os secretos, cortados de forma extremamente fina, quase como se tiras de Kebab se tratasse, os restantes grelhados não se traduziram em mais do que o regular e normal para um tipo de casa que existe em profusão pela cidade. Acompanhados também eles das normais batata frita (ainda que em palito manual) e do arroz branco (ainda que em forma à antiga). Notas peculiares para os panados de tez e forma demasiado uniformes e para a alheira de dimensão reduzida e forma não normalizada, mas de sabor relativamente banal.

O desânimo foi generalizado na mesa, e talvez por isso nem os jarros de vinho fluíram com a rapidez habitual. A conversa virou-se exactamente para o tema dos pratos e as comparações com outras tascas foram inevitáveis, quase sempre pela negativa. Por isso, perguntamos quais são as sobremesas que existem, na esperança que elas salvem a noite. Na verdade nem queremos saber quais são elas, porque somos 5 pessoas e isso significa uma para cada um! Chegam todas ao mesmo tempo e são colocadas no centro da mesa, numa composição geométrica engraçada: três triângulos e dois círculos.

(OVO CRU)
Escusados seriam os recipientes de plástico ainda que o conteúdo possa ser feito dentro de casa. Derivado ou não da pouca aceitação dos pratos principais, a verdade é que todas foram deglutidas até à última garfada sem grande cerimónia. Memórias? Poucas. Apenas que o doce da casa, aqui se chama Vitória. Como a águia provavelmente.

Vemos a azáfama atrás do balcão, mas não por causa do serviço. Como qualquer tasca como deve ser, esta Parreira do Minho fecha às 22h, mas demora um pouco mais a enxotar os clientes que resistem. No nosso caso, ainda houve tempo para o café e para uma aguardente de marca (nova falha no ranking de tasca, aqui não há uma aguardente caseira numa garrafa despersonalizada…). Um final assim só mais ou menos para um jantar que tinha potencial para ser muito mais do que menos.

Preço Médio: 15€ pessoa (com vinho da casa)
Informações & Contactos:

Rua Francisco Metrass, 47 | 1350-013 Lisboa | 21 396 90 28

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