AJITAMA RAMEN BISTRO

AJITAMA RAMEN BISTRO

De casa para… um restaurante cheio!

Ramen… uma moda? Sim, talvez. Mas como toda e qualquer moda gastronómica, aparece assim mais ou menos do nada, instala-se e começa a crescer até ficar demasiado comercial e a oferta começar a ser tanta que a discrepância de qualidade torna-se abismal. Por cá o ramen é uma moda relativamente recente, só no ano passado se começou efectivamente a falar deste prato japonês, esta espécie de sopa que tem muito mais variantes do que se imagina. E se é verdade que actualmente há imensos restaurantes japoneses/asiáticos que servem o prato, no início do ano passado não havia assim tantos. E depois havia o Ajitama Supper Club, que nem era um restaurante… e onde tivemos uma das nossas primeiras experiências com o ramen.

Ora, quando conhecemos o Ajitama pela primeira vez, pouco (ou mesmo quase nada) sabíamos sobre ramen. Quando ainda era um supper club, fomos dos primeiros a ir ao Ajitama e a perceber a complexidade por trás daquele maravilhoso caldo – podem ler aqui o texto que escrevemos na altura. Mas depois do Ajitama, a moda do ramen foi crescendo em Lisboa (e não só) e tivemos oportunidade de provar vários tipos, uns bons outros nem por isso. Se tiverem curiosidade, podem ver aqui várias sugestões.

Mas a verdadeira experiência que tivemos com ramen foi durante a nossa viagem ao Japão, onde provámos de tudo um pouco. E como adorámos, voltámos com aquela vontade de voltar ao Ajitama, onde tudo começou para nós. Só que o sabíamos que o “supper club” ia dar origem a um restaurante a sério, e como as obras foram demoradas, fomos provando o que mais se serve a nível de ramen por Lisboa, dos maus aos bastante bons. E esse percurso acabou por nos levar de volta ao Ajitama, agora Ajitama Ramen Bistrô, recentemente aberto perto de Picoas.

Esta versão 2.0 do Ajitama é um upgrade a todos os níveis, pelo menos à primeira vista. A mudança para um espaço próprio permitiu pensar no design do restaurante, que é dominado por dois elementos: o balcão curvo mesmo em frente à porta, onde podemos ver os cozinheiros a trabalhar (como acontece nas ramen joints no Japão); e o tecto, onde foram instaladas várias estruturas feitas de madeira suspensas, num trabalho meticuloso e que tem um efeito visual espantoso. O espaço consegue ser grande mas ao mesmo tempo acolhedor, o que é sempre complicado, e depois ainda é pontuado com pequenos pormenores de decoração que nos transportam para o universo nipónico.

Ora, espaço maior e aberto ao grande público significa um investimento no serviço de mesa. Porque enquanto a experiência em regime “supper club” era completamente personalizada, aqui isso já é impossível. E, talvez por isso mesmo, para clientes que transitaram de um registo para o outro, vão sentir um pequeno downgrade… Não é que o serviço seja mau, mas num restaurante que é uma novidade e está sempre cheio, é um bocado “a despachar”. Pois…

Bom, seguindo em frente. Ao contrário do que acontecia quando ainda era um supper club, no Ajitama Ramen Bistro podemos escolher o que queremos comer e temos mais opções, tanto nas entradas ou sobremesas, como no próprio ramen. Aliás, o objectivo da abertura de um restaurante era esse mesmo, mostrar-nos que o ramen tem imensas variantes e quais são as diferenças entre elas.

Mas há mais no Ajitama do que apenas o ramen! Há, por exemplo, cocktails de autor, inspirados nos tradicionais, que servem para acompanhar (e encarecer) a refeição, ou uma carta de vinhos e sakês não muito extensa mas com boas referências.

ajitama ramen gyozas

Há também – como é habitual nos restaurantes japoneses – gyosas de galinha ou vegetarianas, boas a nível do recheio mas principalmente na massa, feita na chapa como é o método mais tradicional no Japão. Também temos outra entrada menos vista (por lá e por cá), mas que é excelente a nível de sabor: Naso Dengaku, uma metade de beringela tostada no forno e barrada com pasta miso e cebolo. Muito bom!

ajitama ramen bistro entrada

Depois, e finalmente, chegam os ramen à mesa. Somos 4 pessoas, pedimos 3 variantes de ramen. E começamos já pela estrela da companhia, o ramen que o Ajitama queria servir desde início, ainda em casa, mas que teve de ser aperfeiçoado até ficar exactamente como deve ser – os dois responsáveis do projecto foram inclusivamente fazer um curso de ramen a Tóquio. Estamos a falar do Hakata Tonkotsu, o célebre ramen com um caldo à base de porco, cozinhado durante 18 horas (no mínimo). Aqui não é tão denso como o comemos no Japão, mas o caldo é muito apurado e consegue sentir-se perfeitamente o sabor a carne. Depois leva barriga de porco (que foi o que achámos menos interessante), negi (que é cebolo), cogumelos pretos kikurage e, claro, o ovo ajitama que deu nome ao projecto. Lá está, se não tivéssemos a comparação com o original que comemos no Japão, ficaríamos completamente siderados! Assim é menos surpreendente, ainda que seja realmente muito bom.

ajitama ramen bistro
ajitama ramen bistro

Do outro lado da mesa, temos o Miso Ramen, com a base de caldo de galinha com miso (o que lhe dá um fantástico contraste), onde aparecem a boiar o ajitama, um misto de carne picada e barriga de porco, rebentos de soja e ainda couve lombarda. Um ramen menos intenso mas com mais nuances de sabor, mais camadas.

Uma das pessoas da mesa não tinha tido oportunidade de conhecer a versão anterior do Ajitama, por isso pediu o Shio Ramen, o original que era servido no “supper club”, com um caldo onde se mistura galinha e peixe, e onde depois são acrescentadas fatias de barriga de porco, ovo ajitama, cogumelos enoki, cebola frita, negi e ito-togarashi (que são fios de malagueta desidratada, mas infelizmente nada picantes). Na recordação que tínhamos… era melhor. A receita pode ter mudado ligeiramente para a cozinha industrial, a nossa memória pode estar deturpada ou, simplesmente, pode ser tudo uma questão de expectativas. Como foi dos primeiros (ou o primeiro), tínhamos a memória de uma explosão de sabores… que não sentimos agora. Sim, é bom, feito de forma competente, mas falta ali qualquer coisa mais. Se calhar é o enquadramento que existia antes e agora já não há, não sei…

ajitama ramen bistro

Ora, se a nível de ramen a versão 2.0 do Ajitama evoluiu na oferta (e, de alguma forma, também na qualidade), também aconteceu isso ao nível das sobremesas. Em vez de uma, agora há cinco diferentes, entre elas o Bolo de Matcha com Chocolate e a Tarte de Abóbora de Hokkaido. Ambas são sobremesas simpáticas, mas não enchem o olho. Sendo que também é verdade que a gastronomia japonesa não é a mais interessante ao nível das sobremesas, por isso estas são sobremesas que cumprem o seu objectivo.

ajitama ramen bistro sobremesas

E agora, para acabar, a pergunta que se quer fazer: é o melhor ramen de Lisboa? Pois que é dos melhores, não sendo o melhor. Nota-se perfeitamente que os mentores do projecto levaram a sério o seu processo de aprendizagem no Japão e notam-se as diferenças entre este produto final e aquele que era servido no formato “supper club”. Mas também era uma experiência completamente diferente, muito mais personalizada e imersiva, algo que não se consegue na versão bistrô/restaurante. Sim, o espaço está muito bem pensado, mas o serviço falha no acompanhamento… porque o restaurante está sempre cheio e é preciso rodar mesas.

ajitama ramen bistro restaurante

Ainda assim, é natural que o Ajitama Ramen Bistrô seja (ou continue a ser) um caso sério de sucesso. Pelo “passa palavra” que existiu na sua “outra vida”, pelas expectativas criadas com o anúncio da abertura do espaço próprio, pela lista de espera de reservas com largas centenas de pessoas. E a verdade é que o ramen é muito bom, nas suas diferentes variantes, o que também faz logo a diferença. Para quem teve a oportunidade de o provar em casa do António e do João, vai se calhar sentir algumas saudades; mas para quem entrou agora no “mundo” Ajitama, sejam muito bem-vindos!

Preço Médio: 25€ pessoa (com cocktail)
Informações & Contactos:

Avenida Duque Loulé, 36 | 1050-091 Lisboa | (sem telefone disponível)

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