CERVEJARIA VÁ-VÁ

É tudo assim só “morninho”…

Morno. Foi esta a ideia com que saímos da nova Cervejaria Vá-Vá, em Alvalade, que antes era uma pastelaria mas que se transformou em algo ligeiramente diferente com a reabertura. Já repetimos várias vezes que as experiências mais difíceis de escrever são aquelas que ficam assim num meio termo, restaurantes que não são bons nem maus, são só assim-assim. Mas aqui na Cervejaria Vá-Vá nem foi só a comida ser mediana… foi mesmo chegar toda morna à mesa.

Começando pelo início: porque é que vamos de Oeiras para Alvalade, de propósito? Porque somos impactados pela comunicação, como toda a gente. A reabertura da Cervejaria Vá-Vá deu azo a muitas notícias e a partilhas no Instagram, o que fez com que o nosso feed fosse inundado com imagens dos croquetes, da tosta e de outras coisas que, à partida, pareciam bastante interessantes.

CERVEJARIA VÁ-VÁ
CERVEJARIA VÁ-VÁ

Numa primeira impressão, e ainda antes de falar sobre a comida propriamente dita, entramos num espaço que é claramente novo, e que transmite aquele feeling de cervejaria moderna. É difícil de explicar, tem talvez a ver com as cores usadas no espaço, com a parede de azulejos, com o balcão central que faz lembrar o balcão das cervejarias tradicionais de Lisboa. Aqui na Cervejaria Vá-Vá estamos claramente num registo moderno e assim mais para o sofisticado, algo que até pode fazer sentido tendo em conta a localização… mas não deixa de tornar o espaço um pouco frio.

Olhamos para a ementa e vemos uma área de petiscos, outra de peixes e carnes e, claro marisco. Estamos virados para algo ligeiro, e é exatamente por aí que nos aconselham: a sugestão são uns quantos petiscos, e até nos dizem que são os mais pedidos da ementa, por isso aceitamos de bom grado as dicas. Começamos então com os Croquetes, que até lemos numa entrevista que o restaurante quer que se tornem dos melhores de Lisboa. Ora… não são. Os Croquetes da Cervejaria Vá-Vá nem são os melhores de Lisboa nem, pelo menos na nossa opinião, são croquetes fantásticos. O recheio é demasiado pastoso e sem grande sabor, e o exterior podia ser mais crocante. Nem a mostarda que os acompanha se destaca… Enfim.

CERVEJARIA VÁ-VÁ
CERVEJARIA VÁ-VÁ

Seguimos para os Ovos Rotos, que inicialmente não tínhamos pensado em pedir mas que nos recomendam vivamente. Ora, novamente, não achamos nada de especial. O problema não são os ovos estrelados, que estão líquidos como se quer, nem o presunto, que é de boa qualidade… o problema aqui são mesmo as batatas fritas cortadas demasiado finas e demasiado fritas, o que significa que acabam por não se envolver bem com a gema do ovo. Isto acontece infelizmente cada vez mais, usar batatas fritas demasiado finas nos ovos rotos, o que faz com que o conjunto não fique tão bem misturado como poderia ficar. Nem todas as modas são boas, lá está.

Ao mesmo tempo dos Ovos Rotos chegaram ainda à mesa as Gambas à Guilho e a Tosta à Vá-Vá, mesmo que tenhamos pedido para não vir tudo ao mesmo tempo para a mesa, para não comermos coisas frias. As Gambas à Guilho são carnudas, mas chegam à mesa mornas, tanto que o azeite já nem sequer está a ferver e a borbulhar. Ponto certo do alho, mas falta picante no molho, que é só azeite. Resultado: não usamos o pão todo para molhar na frigideira, e isso é mau sinal. Por outro lado, a Tosta à Vá-Vá, um dos ex-libris da casa: uma tosta de brioche com cachaço cozinhado em molho de cerveja e pimentão fumado, queijo de Azeitão e paiola de porco preto. Peca novamente por ser servida morna (quase fria), mas também porque o recheio nos parece um bocado confuso – não sentimos a qualidade ou tempero da carne, e curiosamente sentimos menos o queijo do que a paiola. Sei lá, não ficámos fãs…

CERVEJARIA VÁ-VÁ
CERVEJARIA VÁ-VÁ

Muito melhor a carne do Prego do Lombo, servida no ponto perfeito e bem temperada. Mas… e parece que este almoço foi cheio de “mas”… o pão do prego não está sequer ligeiramente torrado, por isso fica ensopado com os sucos da carne (e sim, só com isso, porque o prego é servido com molho à parte, com acréscimo de 1€). Ou seja, comer um prego sem qualquer molho, nem um bocadinho de manteiga e alho, num pão que fica empapado e mole… enfim.

CERVEJARIA VÁ-VÁ

Sentimos que a refeição não passou do registo “morninho”, mas ainda assim não queremos sair da Cervejaria Vá-Vá sem comer uma sobremesa. O Bolo de Bolacha parece uma escolha óbvia, mas como temos apanhado cada vez mais banhadas com essa sobremesa em restaurantes recentes, onde parece que se desaprendeu de fazer um bolo de bolacha clássico, temos um pouco de receio. Felizmente, o Bolo de Bolacha da Cervejaria Vá-Vá é bastante bom, o melhor do almoço. A proporção de bolacha para o creme de manteiga podia ser um bocado maior, mas pelo menos sabe a café, o que também já é cada vez mais raro.

CERVEJARIA VÁ-VÁ

No final do almoço, quando nos perguntam como correu (ponto positivo), explicamos que foi tudo normal, e também que a maioria das coisas chegou morna à mesa. Respondem-nos que há uma corrente de ar no corredor à saída da cozinha (?!) e prontificam-se para nos trazer outra Tosta À Vá-Vá, que efetivamente é mais interessante quando quente, mas para nós continuou a ter o mesmo problema de não se perceber o sabor dos diferentes elementos. Mas foi uma boa atitude, sem dúvida, e é verdade que o serviço foi o mais caloroso da nossa refeição. Porque o resto, como escrevemos logo de início, foi “morninho”… não só pela temperatura dos pratos servidos, mas especialmente porque nada do que comemos se destacou o suficiente para voltarmos à Cervejaria Vá-Vá, a não ser que seja por uma questão de proximidade.

Preço Médio: 30€ pessoa (com estes petiscos e vinho)
Informações & Contatos:

Av. dos Estados Unidos da América, 100 | 1700-349 Lisboa | 961 551 325

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