TABERNA SALMOURA

TABERNA SALMOURA

Uma casa de amigos. E um restaurante perfeito!

No meio de toda esta revolução gastronómica que estamos a atravessar como País, há uma tendência contínua de incorporar novas culturas na nossa cozinha. Novas técnicas e novos ingredientes, que resultam numa fusão que está cada vez mais na moda. A isto não são alheios os novos Chefs de cozinha e alguns restaurantes chancela, que procuram exactamente a misturar pratos que tão bem conhecemos com elementos vindos dos 4 cantos do Mundo. É uma tendência que continua a crescer e, assim como todas as tendências, há espaço para isso…

Mas o que acontece é que, principalmente nas grandes cidades (Lisboa e Porto), as novas gerações de clientes de restaurantes estão a começar a perder o contacto com a verdadeira tradição gastronómica portuguesa. Pratos emblemáticos, receitas simples, ingredientes especiais de várias zonas do País que muita gente nem sabia que existiam.

taberna salmoura alfama

Mas, felizmente, ainda vão aparecendo espaços novos que se transformam em bastiões a defender “o que é nosso”. E foi isso que aconteceu há dois anos atrás, quando o Joaquim Leal abriu a Taberna Sal Grosso, em Santa Apolónia (sobre a qual podem ler aqui). Um dos projectos mais interessantes a aparecer em Lisboa nos últimos anos, uma taberna moderna mas que valoriza os produtos nacionais e os pratos mais emblemáticos da nossa vasta gastronomia. Um dos nossos preferidos em Lisboa!

Por isso, quando soubemos da abertura de um novo parente da Taberna Sal Grosso, ficámos muito entusiasmados! Deixámos passar as duas primeiras semanas e, numa noite de Sábado, lá fomos nós até Alfama para conhecer a nova Taberna Salmoura!

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Uma das principais diferenças para o Sal Grosso é o espaço. Mais na dimensão e menos no estilo de decoração. Aqui temos duas salas, o que implica uma logística maior no serviço e talvez uma menor proximidade, mas que é compensada pela simpatia de sempre! A nível de decoração, um ou outro quadro, com destaque para a parede à esquerda da entrada, com uma ilustração sobre Lisboa que nos capta a atenção assim que entramos.

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Não há aqui necessidade de peças de decoração vintage só porque sim, porque nesta Taberna Salmoura o menos é mais. E talvez por isso mesmo, a ementa está escrita num quadro de ardósia na parede, para que todos possam ver. A fórmula não é nova, mas aqui enquadra-se na perfeição.

O que também se enquadra na perfeição é a ementa criada para aqui, numa óptica de pequenos pratos para partilhar. Não são petiscos, ou pelo menos não o são como nas “tabernas modernas” pré-formatadas. Aqui há uma vontade assumida de fazer diferente, de fazer mais genuíno. E isso, por si só, é maravilhoso!

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Fomos jantar a quatro, acompanhados pelo casal por detrás do Blog “As Receitas da Mãe Galinha“, por isso podemos pedir muita coisa para experimentar o máximo possível. Enquanto esperamos podemos “picar” das Chips de Batata Doce, que acompanham muito bem qualquer uma das cervejas artesanais que a Taberna Salmoura tem para oferecer (sim, porque aqui também não há refrigerantes ou bebidas sem ser nacionais).

E os pratos que pedimos vão chegando à mesa sem nenhuma ordem particular, porque não interessa. O que interessa é provar, saborear, partilhar para acompanhar uma boa conversa. O primeiro prato que nos chega à mesa é o Escabeche de Codorniz, acompanhado de tiras de pão torrado. O escabeche é delicioso, acompanhado com uma espécie de pickles que resultam de forma excelente no conjunto. Que belo começo!

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Mas isto é apenas o princípio! Porque logo de seguida aparecem na mesa outros dois pratos fora de série! O Frango à Beira é o melhor prato da noite, e também o mais simples: pedaços de frango imersos num molho de leitão fenomenal! Um prato tão simples, mas quando tanto o frango como o molho de leitão são fora de série, não há como não comer tudo até ao fim, molhar o pão até não haver mais, lamber os dedos… enfim, não pode sobrar nada!

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E se o frango é óptimo, então o Peixe Espada com Maracujá é outra maravilhosa surpresa. Se quiserem, uma espécie de “fish & chips” à portuguesa. Tiras de peixe espada frito, acompanhadas por uma espécie de picadinho de maracujá, num conjunto fresco e exótico, mas ao mesmo tempo cheio de sabores tão nossos.

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O Pica Pau de Atum é o elo mais fraco da noite, e curiosamente um dos primeiros pratos que decidimos que íamos provar. O problema desde prato é mesmo o atum, que está demasiado passado para o que se esperava. E também o facto de não ter molho, essencial em qualquer pica pau. É só diferente do que estávamos à espera…

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Ainda nos falta mais um prato e é o último a chegar: o Cachaço Fumado é mais uma daquelas pérolas, que parecem muito simples de fazer até aparecerem na mesa para nós comermos. A carne é gulosa, decadente, deliciosa, de comer e chorar por mais. Desfaz-se facilmente e ainda consegue ter pedaços crocantes, e isso é um sinal de que quem a cozinhou não só sabe o que faz tecnicamente, como tem um carinho especial por servir comida fenomenal.

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O Joaquim Leal, também responsável da Taberna Sal Grosso, tem acompanhado de perto estes tempos iniciais do Salmoura, e continua a insistir em algo que já nos tinha dito no primeiro restaurante: não é um “Chef”, é um cozinheiro. Que gosta de estar na cozinha, atrás do fogão. E aqui, mesmo que seja só com a sua supervisão, volta a sentir-se o amor que existe pelos ingredientes e pela simplicidade dos pratos, que resulta em petiscos que merecem várias visitas para os provar a todos!

Nós aproveitamos ao máximo e experimentamos também todas as cervejas artesanais da casa (são 3 diferentes) e ainda uma espécie de cidra que eles próprios estão a desenvolver. Que, quando estiver na carta, vai ser um best-seller de caras!

Para terminar o jantar no Salmoura, as sobremesas. Pedimos 3 para dividir, porque já estávamos bastante cheios de tudo o que comemos até ali. Mas pedimos, porque já tínhamos ficado curiosos! A que mais nos chamou a atenção foi o Arroz Doce de Sarrabulho, uma homenagem às papas com o mesmo nome. Para quem conhece, sabe como são estas papas, mas para os turistas há a tradução, com o termo “with blood”. Desperta a atenção, não? 😉 No fundo, é um arroz doce excelente, mesmo que saibamos porque é que tem aquela cor. O sabor é brutal, por isso é uma sobremesa que não podem perder!

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O Pudim de Pão é um clássico e a sobremesa mais simples das três, mas isso não tem nada de mal. Antes pelo contrário, porque a comida portuguesa é isso mesmo: simplicidade, genuinidade e sabor, muito sabor. E o Pudim de Pão do Salmoura é fabuloso. Assim como também o é o Abacaxi Assado com Gelado de Banana, uma homenagem às ilhas, e outra sobremesa simples mas que fecha a refeição em beleza. 

A conversa continua, na mesa e com dono e empregados, num clima divertido. Por isso, quando pedimos os cafés, trazem-nos para a mesa duas garrafas sem rótulo para provarmos. O mesmo acontece noutras mesas, mas aí com aguardentes cujos rótulos reconhecemos. Estas não, e uma delas tem uma malagueta lá dentro… Ora, é sem dúvida alguma a aguardente mais “ardente” que já provámos, queima nos lábios e em todo o corpo! “É para homens!” diz um dos empregados quando nos vê a sua e a chorar de dor, sendo que lhe damos um copo e ele bebe-o como se não fosse nada! Estamos entre amigos, podemos fazer este tipo de coisas.

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Este toque final da oferta das aguardentes mostra aquilo que a Taberna Salmoura quer realmente ser. Uma taberna daquelas à antiga, mas mais no conceito do que propriamente no tipo de pratos. Este é o sítio para vir com amigos, sem pensar em modas, em ver e ser visto, apenas para passar um bom bocado, a comer, beber e conversar. Um sítio onde nos sentimos em casa e percebemos que podemos estar à vontade porque nos aceitam como somos. E, acima de tudo, um sítio onde te recebem como amigo, sejas cliente habitual ou turista que lá entrou “por engano”.

Assim como aconteceu com a Taberna Sal Grosso, esta Taberna Salmoura tem tudo para ser um sucesso, mas não nos pareceu que o Joaquim estivesse muito preocupado com isso. O objectivo é mostrar aquilo que fazemos de melhor, que é a nossa comida. E ser fiel ao produto, à qualidade, à genuinidade. Isso é mais importante que sair nas revistas, ganhar prémios ou ser um spot da moda. E são este tipo de restaurantes que vão revitalizar a gastronomia portuguesa. De caras!

Nós ficámos fãs incondicionais! 🙂

Preço Médio: 20€ pessoa (vários pratos a dividir, com cerveja)
Informações & Contactos:
Rua dos Remédios, 98 | 1100-450 Lisboa | 968711094

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